Edição 2054 – Desobedecer até quando?

 ordem veio da chefia: “Mantenham as posições”! Mas o tri-campeão não tomou conhecimento. Foi o típico caso da ordem que “entrou por um ouvido e saiu pelo outro”. Sem a menor cerimônia, Sebastian Vettel ignorou a direção da Red Bull, ultrapassou Mark Webber e venceu o GP da Malásia.

Retrato da discórdia: o clima de enterro no pódio em Sepang ficou evidente entre os pilotos da Red Bull (foto: Getty Images)
Retrato da discórdia: o clima de enterro no pódio em Sepang ficou evidente entre os pilotos da Red Bull (foto: Getty Images)

Óbvio que ficou aquele clima pesado no pódio e na entrevista coletiva. A ponto de Helmut Marko, consultor (e praticamente um semi-Deus dentro da equipe) declarar que a situação fugiu do controle. Christian Horner também condenou a desobediência do pupilo alemão. No final do dia, Vettel desculpou-se.

Ficou mais ridículo ainda.

Essa atitude do número 1 remete a uma declaração (me esqueci de qual jornalista) que ouvi quando Felipe Massa foi obrigado a ceder a posição para Fernando Alonso, em 2010, na Alemanha. Era algo do tipo “se aceitar a ordem, insista nela até o fim”. Coisa que Rubens Barrichello não fez no GP da Áustria, em 2002. Deixou passar no fim, para o mundo todo ver. E declarou sempre que não concordava com aquilo, mas foi obrigado pela equipe a fazer.

Mais uma vez: se deixou, cala a boca! Fosse macho o suficiente, ignorava e pronto!

Talvez o que Sebastian Vettel devesse ter feito. Ou ficava atrás do australiano ou não pediria desculpas. Só abriu a boca porque todo mundo condenou a atitude.

Peraí, condenar??? Não era esse pulso firme que sempre exigíamos dos pilotos brasileiros, quando estes acatavam ordens de equipe?? Então existem dois pesos e duas medidas neste julgamento?

Essa questão específica da Red Bull merece maior análise do que a ordem da Mercedes. Até porque o que aconteceu na escuderia alemã foi louvável até a última volta, quando Ross Brawn mandou que as posições se mantivessem “para evitar riscos” – o famoso “tragam as crianças para casa” – mas até então a ordem de equipe inexistia; Rosberg implorou a ultrapassagem e o chefão da equipe prateada disse: “se quiser, você que passe”. Perfeito.

Para começar: Mark Webber tinha problemas? Se não tinha nada no carro, por que não abriu vantagem? A equipe determinou que o australiano venceria por qual motivo? Apenas para se fazer de boazinha?

Nestas condições, Vettel fez muito bem em peitar a equipe e determinar que as coisas se resolvam na pista; azar do Mark que nunca teve culhão para exigir isso nos anos anteriores – e a bem da verdade, quando teve sua chance, em 2010, fraquejou no momento decisivo do campeonato.

O que não podia era pedir desculpas por algo que já tinha feito. Ayrton Senna nunca pediu desculpas a ninguém. Michael Schumacher também não. Os pilotos do passado resolviam as disputas na pista sem se importar quem era o adversário; Nelson Piquet dividiu a Williams em 1987 e nem por isso foi se desculpar com Frank Williams e Nigel Mansell por aquilo.

Essa história vai render muito. Mas é bom para saber como é o outro lado das determinações da equipe. Sempre fomos acostumados a ver os pilotos incorporando o espírito de bonzinho, compreendedor da situação e coisas do tipo.

Será interessante ver o que acontece na Red Bull, agora que o tri-campeão mandou as ordens de equipe para bem longe.

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